Coluna alta roda “ tentativa válida



  • foto: divulgação

    com a perspectiva de aprofundamento da crise de vendas neste ano, várias ações criativas estão em curso. todo o elenco de estratégias – desde a “troca com troco” até os intermináveis feirões – foi sacado numa tentativa de animar o comprador a entrar na loja e sair com um carro zero-quilômetro.

    apenas o mercado de veículos usados conseguiu uma reação – previsível – depois de anos de apatia e queda de preços. há clara tendência de valorização do usado e movimentação de trocar um modelo mais antigo por um menos antigo ou mesmo seminovo (até cinco anos de fabricação pelo entendimento geral). a maioria das concessionárias vem tomando ações proativas para ter mais relevância neste mercado. em suas entrevistas coletivas mensais a anfavea tem citado com frequência as estatísticas da fenauto, associação dos lojistas independentes que tem forte presença na compra e venda de veículos usados inclusive na formação de preços.

    agora as atenções se voltam ao consórcio, por duplo motivo: oferta menor (e a juros maiores) de crédito e estoque de cotas contempladas que não se transformaram em vendas efetivas. a indústria automobilística sempre viu com bons olhos o crescimento desta modalidade ao garantir uma demanda fixa por seus produtos. segundo a abac (associação brasileira de administradoras de consórcios), o número de consorciados aumentou 8% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

    embora não existam estatísticas precisas – só o banco central tem controle efetivo sobre cartas de crédito em circulação –, o sistema de consórcio responde em média por 10% das vendas de veículos leves, podendo dobrar essa participação em períodos de crise como o de hoje. a situação atual está mais delicada porque 8% dos três milhões de consorciados de veículos leves e pesados (sem contar motocicletas) foram contemplados em sorteio e decidiram não usar o seu crédito. são 240.000 compradores que simplesmente preferiram sentar em cima do dinheiro (que continua aplicado pelas administradoras) e não adquirir nenhum veículo.

    esse cenário motivou anfavea, fenabrave e abac a lançarem, em conjunto, uma promoção, inicialmente por 45 dias, para tentar convencer as pessoas a usar imediatamente suas cartas de crédito. sempre há um percentual de compradores que adiam compras por motivos variados, como aguardar um lançamento, mudança de ano de fabricação e até a contemplação por sorteio antes do período planejado. de início, 16 fabricantes aderiram e prometem oferecer condições especiais (descontos e opcionais e ipva grátis).

    todos os tipos de ações promocionais são válidos, mas essa em especial talvez obtenha alcance limitado. o contemplado pode simplesmente estar se sentido inseguro em retirar o carro no momento em que a falta de confiança permeia a economia brasileira. afinal, tem de enfrentar despesas correntes de uso (combustível, manutenção, impostos, estacionamento, multas injustas), além de se sentir perseguido só por usar um automóvel.

    a abac afirma que os 8% de contemplados sem uso imediato do seu crédito estão dentro da média histórica. se for isso mesmo, poucos estariam à espera de dias melhores para efetuar sua compra, o que não parece refletir a realidade atual.

    roda viva

    decisão pragmática e elogiável do governo, publicada em 26 de março, estimulará adoção de novos recursos para aumentar eficiência energética (economia de combustível) dentro do programa inovar-auto. estão contemplados sistema desliga-liga o motor de forma automática, monitor de pressão dos pneus, indicador de troca de marcha e ajuste aerodinâmico de grades frontais.

    suzuki s-cross é novo contendor interessante na faixa de suvs e crossover compactos que oferece, além de bom acabamento, a racionalidade de aliar um motor de 1,6l/120 cv a peso contido (1.125 kg com câmbio automático cvt). oferece versões 4×2 e 4×4 (com controle eletrônico sofisticado), além de porta-malas de 440 litros. preço começa em r$ 74.900 e vai a r$ 105.900.

    touareg na versão de topo agora inclui acabamentos antes cobrados à parte na versão r-line. preço é alto – r$ 298.800 –, porém mais em conta que um porsche cayenne com o qual divide o projeto. destaques: posição de dirigir, suave motor v-8 de 360 cv, câmbio automático de oito marchas e consumo de combustível razoável para o alto desempenho oferecido.

    antecipar a venda do subcompacto qq reestilizado, antes de sua produção nacional no segundo semestre, ajuda a chery a enfrentar a greve que paralisa a fábrica onde produz o celer. agora partindo de r$ 31.990 – 25% mais caro que a versão básica anterior montada no uruguai – já embute, além das melhorias técnicas e de acabamento, as dores do chamado custo brasil.

    smart light evolucar, lanterna extra vendida como acessório com sensor que detecta movimentos do veículo para indicar mudança de direção pode exacerbar o pouco uso  convencionais, sem contar o mau hábito de esquecer de consultar os espelhos. outros acham que ligar a seta é suficiente, sem ter certeza se a manobra foi consentida ou percebida.

    contatos do autor: [email protected] e twitter.com/fernandocalmon


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