Coluna alta roda “ país do futuro, de novo



  • ![autodata_interna_11628_noticia](http://carxpressmag.com/wp-content/uploads/autodata_interna_11628_noticia.jpg) frases como essas não costumam partir de altos dirigentes da indústria automobilística sobre o cenário desolador atual: o brasil precisa de um plano, como uma empresa. não temos um plano; a crise está ligada fundamentalmente à questão política, uma doença degenerativa, uma cirrose, que corrói a economia; brasil precisa de um ajuste ético e político. enquanto isso não acontecer, a economia e o mercado automotivo não voltarão a crescer. até parece orquestração, mas não foi. no congresso autodata perspectivas 2016, semana passada, em são paulo, parece que todos reverberaram, ao mesmo tempo, o clima de mal-estar com os rumos de curto e médio prazo do país desde o final do ano passado. na realidade, as fabricantes do setor muitas vezes apanham caladas, mostram-se sempre na defensiva, quer as críticas sejam pertinentes ou impertinentes, justas ou exageradas. essa nova postura só agora brotou publicamente, em tom de desabafo mesmo. a explicação óbvia vem daquela frase imortal do jornalista joelmir beting. ele dizia que o órgão mais sensível do ser humano é o bolso. ninguém ignora que a indústria automobilística ganhou muito dinheiro com o crescimento quase explosivo das vendas internas entre 2004 e 2013, alimentadas por demanda reprimida (1999 a 2003), crédito fácil e descontrolado, aumento do poder aquisitivo dos compradores e estímulos fiscais em momentos difíceis. geraram-se lucros remetidos às matrizes. o cenário de hoje, exatamente o oposto, atacou o bolso. os prejuízos começaram já no ano passado e no momento as matrizes estão socorrendo as filiais com empréstimos até para fechar as contas no fim do mês. afinal, salários na indústria acima da inflação e preços dos carros corrigidos por percentual inferior não dão liga. essa fase acabou e aumentos reais pioram tudo. nenhum acionista gosta de saber que perde dinheiro, se antes ganhava, e está agora devolvendo parte do que havia embolsado. são da regra econômica os ciclos bons e ruins, mas importa a tendência apontar para cima. também se ouviram vozes ainda mais pessimistas. o início da tímida recuperação poderia ficar para 2017 e não começar no último trimestre de 2016\. parece haver um desconhecido porão no fundo do poço. somando-se veículos leves e pesados as vendas talvez não cheguem a 2,1 milhões de unidades em 2016 ou 16% menos que os prováveis 2,5 milhões deste ano. no rumo contrário, o instituto ipsos brasil disse ter detectado em pesquisa que nos últimos meses cresceu a intenção de compra de carros novos pelos consumidores. infelizmente, isso não foi confirmado pelos bancos. a associação das instituições vinculadas aos fabricantes (anef) reafirmou a procura menor por financiamentos, independentemente da maior seletividade na aprovação de cadastros de interessados. em meio a interpretações e previsões de alguma forma divergentes, pelo menos há um consenso positivo. nenhum fabricante admitiu cancelar investimentos. eles estão mantidos, certamente a um ritmo menor, mas a ameaça de desinvestimento, como já ocorrida no passado, parece descartada. voltar à condição de país do futuro é algo bem desconfortável, mas é o consolo que restou. **roda viva** **embora** a fca não tenha decidido sobre a produção “ mesmo em regime de montagem de componentes importados (ckd) “ do seu novo sedã médio-compacto na fábrica de goiana (pe), as chances de isso ocorrer aumentaram. o carro existe, recuperou o nome tipo, dos anos 1990, em alguns mercados, mas nem mesmo isso se confirmaria aqui por problemas do passado. **exemplo** correto de uso de vidros escurecidos no novo monovolume c4 picasso (segunda geração): da coluna central para trás. nas janelas dianteiras eles são apenas esverdeados para garantir visibilidade correta. no brasil a regulamentação do contran é exatamente essa, mas quase ninguém respeita. inexiste fiscalização e, portanto, mais uma lei que não pegou. **focus** **fastback** vem alcançando resultados superiores de vendas em relação às gerações anteriores do mesmo sedã não apenas por esforço de marketing da ford. sua dirigibilidade ficou melhor, direção mais precisa e suspensão traseira independente multibraço com barra estabilizadora é referência no segmento. espaço para pernas atrás poderia ser melhor. **governo** **federal** criou incentivos fiscais para veículos puramente elétricos ou híbridos recarregáveis em tomadas, como em outros países. desculpa anterior era risco de apagão elétrico, mas a procura por esses veículos é tão baixa que soava ridículo. tarifa de importação cai de 35% para algo entre 2% e 7% (híbridos) e de 0% a 2% (elétricos), dependendo de sua eficiência. **segundo** o observatório nacional de segurança viária, ao analisar dados oficiais, mais de 15% dos mortos no trânsito são idosos (60 anos ou mais), apesar dessa faixa etária corresponder a cerca de 11% da população. pedestres representam a maior parte das vítimas. ou seja, motoristas precisam ficar ainda mais atentos às limitações da terceira idade. **contatos do autor:** [email protected] e www.facebook.com/fernando.calmon2

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